Desafio Márcio May ou, quando pedalei minha primeira Bike Marathon!

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Desafio Márcio May

Vocês que me acompanham sabem que eu amo correr e adoro andar de bike, por isso eu escolhi falar sobre uma prova que participei, o 2° Desafio Márcio May de Mountain Bike Marathon – Etapa Camboriú.

Como a prova era no domingo, fomos antes claro, e ficamos no Hotel Açores em Balneário Camboriú, com bikes, tralhas e tal! Fomos eu, marido e mais alguns amigos.

Letreiro de Balneário Camboriú, na Barra Sul

Nossa experiência em longas distâncias na bike tinha iniciado uns meses antes, em uma pedalada bem legal que fizemos em Pomerode. Lá foram 20 km pela rota enxaimel, contemplando a natureza. Muito legal e tranquilo!

Baseados nessa prova e mais as vezes em que saímos para pedalar pela cidade, aos finais de semana, logo nos sentimos aptos a participar de algo maior! E lá fomos nós para Camboriú.

As distâncias oferecidas na prova eram (aproximadamente) de 114 km, 68 km, 32 km e 28 km, que seria a de cicloturismo, onde o cabra vai pedalando e passeando! Fizemos nossa inscrição nessa. Beleza! Tranquilo! Lindeza! Uhuuu!

Só que ao chegarmos para retirar nossos kits, o pessoal da organização nos informa que fomos os únicos inscritos nessa distância e nos perguntam se não queríamos trocar para a de 32 km, considerada Light. Nos olhamos e pensamos: “ahhh mais 4km não vai fazer diferença! Ok, vamos nessa”.

light-mapa

Voltamos para o hotel e, tudo muito lindo, tudo muito bom, quando de repente, eu fico olhando para tudo que usaríamos no dia seguinte (sim, eu sou daquelas que deixa o kit corrida/bike todo separado, arrumadinho, para não ter problemas) e me dou conta que não tínhamos trazido os capacetes.

COMO ASSIM??? COMO PARTICIPAR SEM CAPACETE? O desespero bateu, foi aquela coisa de um apontar o dedo para o outro, por ter esquecido o acessório mais importante, quando marido fala: – Sem problema, eu acordo às 05h vou em casa (detalhe: ir em casa, quer dizer dirigir 120 km ida e volta), pego os capacetes e ainda chego a tempo de tomar café e irmos para o local da largada, ok? – Sim, ok!

A largada da nossa categoria, no Desafio Márcio May, seria às 08h45, na Cascata do Encanto, em Camboriú, na área mais rural da cidade, onde ficam muitas fazendas, sítios e onde ficam as “montanhas” que deveríamos subir, descer, correr, etc!

Às 05h marido saiu e eu fiquei dormindo mais um pouquinho. Por que estava tudo arrumado, era só acordar às 07h, descer, tomar café, esperar marido e sairmos lépidos e faceiros!

Desafio Márcio May
Cascata do Encanto, Camboriú. Foto: Equipe Desafio Márcio May.

SÓ QUE NÃO!!! Marido saiu às 05h, mas eu acordei às 07h30, com alguém ligando desesperadamente para o meu celular, dizendo que nos atrasaríamos e marido ainda não tinha voltado! M E D O define aquele momento. Dei um salto, tipo gato assustado e fui me arrumando meio que loucamente.

Desci para o café, que estava lotado, pois era alta temporada e a cidade estava cheia de turistas. Nesse meio tempo marido chega, também correndo, para tomar café. Enquanto isso nossos amigos já estavam prontos e foram na frente, por que já passava das 08h…

Bikes no carro, saímos em direção ao local de largada do Desafio Márcio May… nos perdemos em um trevo e fomos parar na estrada, na BR 101. Pense numa pessoa irritada e enfurecida: era meu marido! E numa pessoa desmantelada? Era eu. Gente, sabe aqueles memes Expectativa x Realidade? Pois é? Tudo que tínhamos planejado estava dando errado.

Como o retorno estava longe, falei que se ele quisesse ir embora eu estava com ele 100%. Só que teríamos de voltar ao hotel para pegar nossas coisas. Fui acalmando a fera e seguimos rumo a tal Cascata do Encanto, que a essa altura já era do desencanto.

Conseguimos chegar e… bem na hora a nossa categoria estava largando! Estacionamos, pegamos as bikes e saímos atrás do pelotão. Mas de boa, sem estresse, pois sabíamos que não os alcançaríamos. Enquanto isso eu ia curtindo a paisagem, que é linda, debaixo de um sol senegalês de quase 40°. Estão achando que acabou? Calma ai!

Desafio Márcio May Bike Marathon
Eu não disse que a paisagem era linda? Foto: Equipe Desafio Márcio May.

Pedalamos um bom pedaço quando nos deparamos com um grupinho sozinho, mais à frente. Sim, nossos amigos largaram, mas como também não são super atletas, estavam numa vibe mais relax! Nos juntamos a eles. Por alguns quilômetros marido ficou junto, depois ele disse que não aguentaria se ficasse naquele ritmo e foi em frente. Eu continuei com o pessoal.

Turma no Desafio de Bike Márcio May
Povo só de boa, sem estresse!

Mais um pouco da paisagem pelo caminho! Olha a “lua” que estava o Sol naquela manhã!

O ponto de hidratação era no quilômetro 20, o que estava bem longe. Mas eu tinha água no meu cantil e, se tudo desse certo, com certeza teria algum bar, venda, armazém pelo caminho para comprar mais água. O que aconteceu, com a graça de Deus! Por que o sol estava inclemente e a temperatura parecia aquecer a cada pedalada.

Desafio Márcio May

No bar, uns senhorzinhos que estavam ali falaram, “agora é que vai começar a ficar ruim, daqui pra frente é que começa a subida”. WHAT??? Confesso que gelei, mas fui em frente. Pelos meus cálculos faltavam menos de 15 km para terminar.

Como o grupo estava um pouco cansado eu resolvi encarar e seguir sozinha, pois se ficasse com eles não aguentaria. E me joguei por aquela estrada acidentada, cheia de pedras, subidas e descidas íngremes, com muito cascalho.

Por boa parte do trajeto existiam casas, pequenos sítios, algum tipo de civilização. Só que de um determinado trecho em frente, éramos só eu, Deus e a paisagem. Que é linda, mas que naquele momento não me transmitia nada.

Eu estava com medo, sede, fome, o ponto de hidratação ainda devia estar a uns 5 km em frente e a minha água tinha acabado. Mas como parada não dava pra ficar, eu segui.

Acho que nunca senti tanto medo na minha vida eheheh ali eu testei minha sanidade, meu preparo, aproveitei para pensar na vida, refletir, agradecer por tudo que tenho e, até fazer a célebre pergunta: – O que eu estou fazendo aqui?!? 

Realmente, uns 5 km para frente lá estava o pessoal da hidratação, com água e sachês de gel. Senti tanta felicidade quando os vi, que abracei o cara que enchia os cantis. Ele não entendeu nada, mas retribuiu o abraço de uma ciclista toda suada, com terra até os olhos, que mais parecia uma sei lá o quê! Fiquei uns minutinhos ali e segui meu caminho.

Naquele ponto, aliás, era onde as outras distâncias também passavam e assim, todas as categorias, por alguns momentos, acabavam se encontrando. Um grupo de bikers ia naquele ritmo frenético, mas um deles encostou no meu lado e disse: – Guerreira, vou te acompanhar um pouco tá, pra ter certeza que tu não vai desistir. Eu respondi: – Será um prazer, mas não espere que eu desista.

E assim seguimos lado a lado, sem trocar palavra, apenas pedalando e nos esforçando para vencer as descidas que se apresentavam à nossa frente, cheias de cascalho e com uma probabilidade enorme de alguém se estabacar no chão. Depois de um tempo meu companheiro de estrada então falou: – Guerreira, agora eu vou seguir, pois tenho que dar mais ritmo. Segura firme os dois freios, por que daqui pra frente é só descida e é daquelas perigosas.

Nos vemos na chegada. Boa sorte! E lá se foi ele. Não o vi mais, mas até hoje sou agradecida por ele ter ficado comigo por alguns metros. Aquilo foi reconfortante. E continuei pedalando.

Quando ele disse que a descida era perigosa, eu não imaginava o quanto. Por vários dias depois, fiquei com os braços doloridos, de tanto que apertei os freios. Quando desci a última ladeira, sei disso por que alguns ciclistas que passaram por mim gritaram: – uUuuu acabaram as ladeiras! Nossa, eu senti um alívio, daqueles que nem sei explicar.

Mas foi quando cheguei na ponte da Igreja que eu realmente senti a emoção. Naquele ponto os fotógrafos estavam esperando que passássemos, para fazer os melhores clicks. Eu estava sozinha na hora em que cruzei por ali. E a fotógrafa quando me viu disse: – É isso ai, que linda, chegou até aqui, agora só falta 1km.

Quando ela disse aquilo eu comecei a chorar. Sério! E agradeci que tinha chegado até ali, sem ter me machucado, como aconteceu com alguns ciclistas, tinha vencido mais a mim, do que a qualquer coisa e que em breve, muito breve, eu estaria passando pelo pórtico e finalizando a minha Bike Marathon e o Desafio Márcio May.

Ponte da Igreja em Camboriú
Eu estou sorrindo na foto, mas as lágrimas escorriam, pelo rosto todo cheio de poeira. Ficou uma meleca só eheheheh

Uma pena que não tenha foto minha, passando pelo pórtico, mas tudo bem, por que o sentimento foi de que eu era a MAIOR CICLISTA do mundo naquele momento, e que depois de 01h45, eu estava terminando uma prova de 34km (sim, no fim das contas deu 34 mil metros), vencendo medos, sede e desafiando os meus limites.

Pode parecer pouco para quem está acostumado a praticar esportes radicais ou os de longas distâncias, mas para mim, eu estava fazendo tudo isso. E me senti poderosa! Na chegada encontrei marido, que estava preocupado pois eu não aparecia. Calma, gato, I’m here!

Lendo o objetivo da prova, no site da competição, eles dizem lá que: “o objetivo é despertar nas pessoas o interesse pela prática esportiva através da bike, fazendo com que todos tenham a oportunidade de interagir no meio competitivo, integrando atletas profissionais e amadores, criando assim um clima de confraternização”. Acho que entrei no clima e cumpri o objetivo proposto.

E foi assim, depois de muita coisa dar errado, que no fim tudo deu certo. Se eu quero participar de outras provas como essa? LÓGICO! Mas com mais preparo, claro, e levando mais comidinhas na mochila!

Bom, espero que tenham gostado desse relato um pouco diferente! E vocês, têm uma história como essa, daquelas de alcançar objetivos, derrubar barreiras, essas coisas? Então me contem! 😉

Desafio Márcio May, Camboriú SC

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